Mapear é disputar a memória cultural
PENSAMENTO PERIFÉRICO
A pesquisa desde sempre foi terreno de difícil acesso às camadas menos privilegiadas da população — uma situação que começou a mudar nas últimas décadas, sobretudo a partir das políticas afirmativas. Há aí um cenário de injustiça que temos, enquanto Nação, o dever de corrigir. Mais do que isso, porém, essa realidade implica num estreitamento do pensamento. Afinal, por séculos a produção acadêmica brasileira foi privada do saber de quem cresceu com referências culturais e sociais diversas às das classes dominantes.
Foi esse saber que produziu o samba, gênero que é uma espécie de síntese da alma nacional. Foi esse saber que produziu o funk, linguagem de música eletrônica genuinamente brasileira que é reconhecida internacionalmente no pop contemporâneo. Foi esse saber que produziu o sertanejo, que mobiliza e emociona multidões e que movimenta uma economia de milhões de reais. Quase sempre, porém, os pesquisadores que vêm tratando desses fenômenos não são oriundos da periferia. A produção deles é valiosa, porém seria ainda mais se ela pudesse estabelecer trocas com outras perspectivas.
O SITE
Sabe-se que hoje no Brasil o pensamento sobre estes temas e ainda muitos outros se desenvolvem de forma profícua. Todavia, há uma série de desafios. Como, por exemplo, conectar esses pesquisadores e pesquisadoras das periferias, ouvir suas demandas, publicar suas pesquisas etc. Foi então a partir dessa perspectiva que decidimos criar o site “Mapeando o Pensamento Periférico Brasileiro: Música Popular Brasileira”. Trata-se de uma plataforma para conectar, mapear, organizar e reunir o que há de novo, original e revolucionário no pensamento brasileiro sobre música popular.
A Casa Goiabeira, instituição de fomento ao pensamento sobre música popular brasileira com foco no trabalho de pensadoras e pensadores periféricos, vem se juntar a essa demanda e pretende lançar, ainda em 2024, esta plataforma inédita.
IMPACTO
É de amplo conhecimento o fato de que a indústria da música hoje no Brasil movimenta uma quantia vultuosa de dinheiro em diversos setores dos mercados. Todavia, enfrenta-se diversos problemas para reparar a má distribuição desta renda. No caso da pesquisa, por exemplo, é sabido o quão difícil é para pesquisadores e pesquisadoras periféricos fazer circular suas obras, ocupar lugares de decisão em equipes editoriais e de consultoria, receberem convites para serem curadores em festivais, programas de televisão etc.
“Mapeando o Pensamento Periférico Brasileiro: Música Popular” é um banco de dados digital que terá profundo impacto na Academia, reunindo o perfil e a produção de pesquisadores e pesquisadoras periféricos os mais diversos no cenário nacional – um fato inédito. Ainda além, o site poderá realizar uma ponte entre pensamento e mercado, fomentando a circulação de ideias, impulsionando economicamente a vida dessas pessoas que terão uma vitrine eficiente e organizada para expor suas obras.